domingo, 19 de abril de 2009

Golo de Ronaldo no Dragão alivia contas do Manchester


O apito final do árbitro Massimo Busacca no FC Porto-Manchester United foi certamente recebido com sorrisos de alívio na tarde de quarta-feira no quartel-general da família Glazer, em Tampa, na Florida. Malcolm Glazer, um judeu norte-americano de 80 anos, é o patriarca da família (seis filhos, 13 netos) que entre 2003 e 2005 conduziu a operação de compra do Manchester United. Glazer comprou o clube através de um "leveraged buyout" (LBO), ou "aquisição alavancada" - a compra de uma empresa essencialmente através do recurso a fundos alheios, com o endividamento a ser colocado nas contas da empresa adquirida.
Os Glazers pagaram 831 milhões de libras pelo clube de Cristiano Ronaldo. A família entrou com apenas 272 milhões, investidos sobretudo em pacotes de acções negociados dentro e fora da Bolsa de Londres. Em Setembro de 2003, Glazer detinha 3,17% do clube. No dia 20 de Outubro a participação atingiu 8,93%. Em Fevereiro de 2004, Glazer já controlava 16,31%. Em Maio de 2005, o milionário norte-americano passou a controlar efectivamente o Manchester United ao comprar as participações de John Magnier, J. P. McManus e Harry Dobson.
Além dos 272 milhões de fundos pessoais, Malcolm Glazer recorreu a 284 milhões emprestados por um sindicato de bancos liderado pelo JP Morgan. Os restantes 275 milhões - que a família já não conseguiu angariar no mercado bancário tradicional - foram adiantados pelos "hedge funds" Citadel, Och-Ziff Capital Management Group e Perry Capital, com taxas de juro muito altas.
Quando o "takeover" foi concluído, a família Glazer transferiu esta dívida de 559 milhões de libras (emprestados pela banca e por aqueles três fundos) para as contas do clube. Na era pré-Glazer, o Manchester United era um clube sem quaisquer dívidas, a maior potência económica do futebol europeu, proprietário integral do estádio e do centro de treinos. No Verão de 2005, o United passou a ser um dos clubes mais endividados do mundo, com um passivo de 559 milhões e a maior parte dos seus activos aplicados como garantia bancária. No ano seguinte, na sequência da renegociação da dívida, o total do passivo atingiu os 660 milhões. De acordo com as contas divulgadas na semana passada, as dívidas do clube no dia 30 de Junho de 2008 rondavam os 649,4 milhões de libras - cerca de 736 milhões de euros.
A excelente carreira da equipa na temporada de 2007/08 (vitória na Premier e Champions League) traduziu-se num aumento de 22% nas receitas globais, que atingiram uma soma recorde de 256,2 milhões de libras. O clube vendeu 63 mil bilhetes de época. As receitas televisivas cresceram 48% e atingiram 90,7 milhões de libras. Mas apesar do lucro operacional de 80,4 milhões (91 milhões de euros), o grupo Manchester United teve um prejuízo de 44,8 milhões (50,8 milhões de euros) devido ao pagamento dos juros e de outros encargos com a dívida.
"O nível de receitas do clube permite-nos cumprir as nossas obrigações relativas a empréstimos e restante dívida e continuar a comprar jogadores de classe mundial [como Berbatov] e oferecer condições de topo em Old Trafford e Carrington", explicou na semana passada Phil Townsend, porta-voz do Manchester United. Neste clube geralmente considerado como um dos mais bem geridos do mundo não restam muitas áreas onde se possa pensar numa maximização das receitas. O estádio não poderá crescer muito mais. Os adeptos criticam o constante aumento do preço dos bilhetes. A manutenção do nível recorde de receitas atingido em 2008 depende, em grande parte, da reprodução do êxito desportivo da temporada passada. Depois do susto de Old Trafford, o golo que Cristiano Ronaldo marcou no Estádio do Dragão teve, por isso, uma importância capital

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