domingo, 19 de abril de 2009

Arquivos da tragédia de Hillsborough podem ser revelados antes do prazo


Pressão dos familiares dos 96 adeptos mortos no incidente faz crescer as expectativas para a divulgação dos arquivos secretos sobre a tragédia

Os arquivos secretos sobre a tragédia de Hillsborough, estádio onde morreram 96 adeptos do Liverpool durante uma partida contra o Nottingham Forest pela meia final da Taça da Inglaterra de 1989, podem ser revelados antes do prazo, atendendo a um pedido do Governo britânico.

O Ministério do Interior informou neste domingo que a titular da pasta, Jacqui Smith, pediu à Polícia de South Yorkshire, condado no qual está o estádio de Hillsborough, que torne públicos os documentos ligados à tragédia. A norma habitual é que este tipo de informação fique sigiloso durante 30 anos, mas o Governo quer acelerar o processo pela pressão das famílias das vítimas, que aumentaram as pressões em lembrança aos 20 anos da tragédia, na última quarta
Ninguém foi punido pelo ocorrido e as associações de familiares insistem para que sejam aplicadas penas aos organizadores a partida. Os documentos podem dar respostas a dois fatos que ainda não foram bem entendidos: quem permitiu a superlotação de torcedores no setor em que houve a tragédia e por que a Polícia não autorizou a entrada de ambulâncias ao recinto. As associações afirmam que os policiais agiram assim por pensarem que era apenas uma briga entre adeptos violentos, e posteriormente achou que nada poderia ter sido feito pelas vítimas. No entanto, segundo algumas testemunhas, pessoas morreram minutos depois, sem assistência médica.
Na quarta, o Liverpool realizou um acto de lembrança aos 20 anos da tragédia.
Às 15h06 locais , momento exato em que o árbitro decidiu parar a partida, as pessoas presentes às arquibancadas do estádio de Anfield Road lembraram o facto com dois minutos de silêncio, seguido por 96 badaladas dos sinos das igrejas da cidade. Parte dos torcedores presentes ao estádio de Anfield Road vaiou o ministro da Cultura, Andy Burnham, que representou o premiê britânico, Gordon Brown. Burnham lembrou que a tragédia mudou a história do futebol inglês e representou o fim de uma era de "mau tratamento" aos adeptos, contribuindo para que o desporto seja hoje um espetáculo "mais seguro".

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