
Cafu, que está sem clube desde que deixou o AC Milan no final da época passada, reiterou a vontade de jogar mais uma temporada antes de terminar a carreira, justificando a paragem com os problemas pessoais que viveu.
"Eu sofri com a morte do meu pai em Junho. Ele foi a pessoa que mais lutou no Mundo para que eu fosse jogador. Perdi grande parte da alegria que tinha ao entrar em campo e saber que ele estava a ver-me. Minha mãe também está doente. Tudo está muito triste, mas eu ainda acredito que possa jogar uma última temporada. Tenho algumas propostas, mas antes vou jogar o Brasileiro de 'showbol' [modalidade disputada por antigos futebolistas] pelo São Paulo", afirmou o defesa.
O jogador mostrou ainda alguma mágoa com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sobre um possível jogo de despedida: "É o que mais quero. Vestir a camisola da seleção pela última vez diante da 'torcida' brasileira é um sonho. Só que não depende de mim. Sinceramente, não sei se vai acontecer. Não quero me iludir e nem pedir nada para ninguém. E vou ser sincero: se alguém acha que eu mereço homenagem faça enquanto eu estiver vivo. Acho péssimo esperar a pessoa morrer para reconhecer o que ela fez. Isso eu dispenso."
Aproveitou ainda para desabafar em relação ao comportamento da imprensa brasileira após a eliminação do escrete no Mundial 2006: "Eu só sei que apenas alguns jogadores foram crucificados por uma série de erros que não foram só seus. Foi uma seleção que não deu certo em vários aspectos. A decepção da população foi imensa, mas nós, atletas, sofremos muito também. Me dói até hoje falar. Não queria que uma vida de tantas conquistas pela seleção ficasse marcada pela perda do Mundial da Alemanha. A minha carreira não merece isso. Fui perseguido por alguns órgãos de imprensa com os quais não quero falar nunca mais na minha vida. Não adianta insistir. Esses jornalistas não sabem o mal e a tristeza que criaram para mim e para a minha família".
Relativamente à selecção brasileira na actualidade, Cafu mostra agrado pelo trabalho de Dunga: "Tenho muito orgulho. É a minha geração no poder. Ele [Dunga] e o Jorginho têm enorme identificação com a seleção. Já viveram todo tipo de situação. Eles estão a ganhar experiência rapidamente. E os resultados são satisfatórios. Ou o Brasil não ganhou a Copa América e não está em segundo na fase de qualificação? O Brasil está a crescer e vai chegar bem ao Mundial. Tenho certeza. As críticas vão sempre acontecer, porque nenhuma seleção tem tempo para trabalhar. Os compromissos com os clubes não permitem. Mas confio no Dunga, no Jorginho e no talento brasileiro".
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