quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tragédia com 96 mortos que mudou o futebol na Inglaterra completa 20 anos







Em 15 de abril de 1989, a Inglaterra viveu a maior tragédia da história de seu futebol. Liverpool e Nottingham Forest se enfrentavam pela meiafinal da Taça da Inglaterra no estádio Hillsborough, do Sheffield Wednesday. A superlotação de uma das alas do estádio levou à morte 96 adeptos do Liverpool. A tragédia é até hoje sentida pelos adeptos dos Reds, mas acabou por se tornar um marco para a modernização do futebol inglês.
O incidente foi encarado como a gota d'água para que os problemas com o futebol fossem resolvidos. O Lorde Taylor de Gosforth foi designado para conduzir o inquérito sobre os motivos para a tragédia em Hillsborough. Suas conclusões foram apresentadas no que ficou conhecido como "Relatório Taylor". As principais causas apontadas para as mortes foram a falha do controle policial sobre a multidão e a inadequação das instalações do estádio
relatório sugeriu algumas mudanças que foram prontamente atendidas. As principais diziam que os estádios não poderiam ter grades ou alambrados para separar o público do campo. Além disso, todo adepto que comprasse bilhete deveria ter uma cadeira para ver o jogo. As "gerais", áreas nas quais se vê o jogo de pé, teriam de ser completamente abolidas.
Havia também regulamentação para preços de bilhetes, sobre a quantidade de bilhetes destinados à claque visitante e outras regras. Com a modernização dos estádios, os clubes passaram a faturar mais nos dias de jogos. Este fator é considerado como um dos principais para a ascensão do Campeonato Inglês enquanto negócio.
Como aconteceu a tragédia
Curiosamente, em 1989, o Hillsborough era um dos poucos estádios na Inglaterra considerados aptos a receber jogos de grande porte, como era aquela meia final de Copa da Inglaterra. Não só pela capacidade (mais de 50 mil pessoas à época), mas justamente por ter alambrado separando adeptos do relvado.
No fim dos anos 80, a Inglaterra vivia o auge do hooliganismo. Os clubes do país estavam banidos das competições europeias exatamente pelo mau compartamento dos fãs do Liverpool. A punição se deu após a final da Taça dos Campeões da Europa de 1985, no estádio de Heysel, na Bélgica, contra o Juventus. Na ocasião, 39 adeptos, a grande maioria do Juventus, morreram imprensados contra um muro após tumulto iniciado pelos fãs dos Reds.
Tendo este quadro em vista, a Polícia inglesa perdeu o controle da situação e demorou a entender que o desespero das pessoas que forçavam as grades da beira do campo se dava porque elas tentavam salvar suas vidas. Ainda assim, dezenas de policiais, em vez de ajudar as vítimas, formaram um cordão de isolamento no meio do campo, temendo que os "invasores" partissem em direção à claque do Nottingham Forest para brigar.
O clube mantém em seu estádio, o Anfield Road, um memorial com os nomes dos 96 mortos na tragédia de Hillsborough. O local tem uma chama que nunca se apaga, em respeito aos que perderam suas vidas naquele 15 de abril de 1989.
O atacante Fernando Torres dedicou os golos que marcou nos 4 a 0 sobre o Blackburn, no último sábado, às vítimas de Hillsborough.
- Estes golos são para os 96 e suas famílias, porque sei que sábado foi um dia muito importante para eles. Foi nosso jogo em casa mais perto da data do incidente - disse o espanhol ao site do Liverpool.
Polêmica sobre 'A verdade'
Uma grande polêmica se iniciou nos dias seguintes à tragédia e perdura até hoje. O tabloide "The Sun" publicou em sua capa uma manchete em letras garrafais: "A verdade". De acordo com a publicação, adeptos do Liverpool urinaram sobre os policiais que tentavam salvar vidas durante o incidente. Ainda, equipas de salvamento teriam sido agredidas durante seu trabalho.
A versão foi passada à imprensa por uma fonte policial que não quis se identificar. Outros jornais chegaram a publicá-la, mas deram menos destaque e, de uma forma geral, pediram desculpas nos dias seguintes.
O "The Sun" manteve sua versão e é alvo até hoje de boicote na região de Liverpool. O tabloide, que vendia cerca de 200 mil cópias por dia naquela área, até hoje não chega a vender 20 mil.
- Lembro-me de como os adeptos do Liverpool se ajudaram, auxiliaram os que estavam em dificuldades e resgataram muitos. Nunca vamos esquecer aquele dia nem as 96 pessoas que perderam a vida. O país compreende esta situação e existe um enorme apoio moral por parte da população. Nunca vamos esquecer a forma como os adeptos se entreajudaram. É esse o verdadeiro espírito do Liverpool - disse no último fim de semana o primeiro ministro britânico, Gordon Brown.

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