quarta-feira, 15 de abril de 2009

Espanha fiel a Portugal



A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) negou esta quarta-feira peremptoriamente qualquer intenção de se desvincular de Portugal e avançar sozinha na candidatura à organização do Mundial de 2018 ou 2022.
Dois dias depois de o presidente da FIFA, Joseph Blatter, ter insistido, em entrevista ao diário desportivo espanhol "Marca", que o organismo continua a dar prioridade a candidaturas únicas, fonte da RFEF assegurou à Lusa que o projecto ibérico é mesmo para avançar.
"Continuamos absolutamente empenhados em organizar um Mundial de futebol com Portugal. Na sexta-feira, estaremos em Lisboa para uma nova reunião com a federação portuguesa e continuaremos a trabalhar em conjunto para cimentar esta aliança ibérica", lembrou a mesma fonte.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a RFEF vão reunir-se sexta-feira, em Lisboa, pela segunda vez, para continuar a debater a candidatura conjunta dos dois países ao Mundial de 2018 ou 2022.
No primeiro encontro, realizado a 10 de Março, em Las Rozas (Madrid), ficou decidido que o comité único de candidatura ficará sedeado na capital espanhola e que será composto por um igual número de membros de cada país.
Na altura, os dois organismos decidiram também avançar com um estudo que quantifique o impacto desportivo, cultural, social, político, financeiro e económico deste projecto ibérico, bem como as suas vantagens em relação aos outros concorrentes.
Apesar de Blatter continuar a preferir candidaturas únicas, Portugal e Espanha continuam a dar sinais inequívocos que tencionam avançar para uma parceria ibérica, insistindo na constituição de um comité único de candidatura como trunfo para combater os receios da FIFA em duplicação de despesas.
Sobre as declarações de Blatter à "Marca", que quase convidam a Espanha a avançar sozinha, a fonte da RFEF assegurou que não será esse o caminho a seguir pela RFEF: "está fora de questão".
Na entrevista que concedeu ao jornal desportivo espanhol, Blatter voltou a insistir que a FIFA não esquecerá tão cedo a má experiência da edição de 2002 do Mundial, organizado em conjunto por Japão e Coreia do Sul e que implicou o dobro dos custos.
Sobre um eventual "divórcio" dos dois países ibéricos para cumprir com as expectativas do organismo, Blatter disse ao mesmo jornal que isso "é algo que têm de decidir Espanha e Portugal", acrescentando que todos os candidatos têm mais de um ano para tomar decisões, pois o prazo para a entrega da proposta definitiva está fixado em Maio de 2010.
Blatter enalteceu a capacidade de Espanha em organizar eventos desportivos, guardando "uma boa recordação do Mundial de 1982". "É um país com um grande entusiasmo pelo futebol e com bons estádios", reconheceu o presidente da FIFA.

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