Duas partes, duas tácticas, a mesma ideia. Seja o losango do primeiro tempo ou o 4x4x2 clássico do segundo, este Sporting prova ser organizado (tirando o golo holandês, claro) e, a 15 dias do primeiro jogo oficial, na Supertaça com o F.C. Porto, dá mostras de estar bem perto de um onze competitivo, por muitas que sejam as dúvidas quanto às peças a usar por Paulo Bento. Mas essa é uma boa dor de cabeça para o treinador. Outra, nada benéfica, é o caso João Moutinho, que na primeira aparição perante os sócios teve um misto de aplausos e assobios como recepção.
O leão entrou a rugir, com o golo de Vukcevic, ainda na madrugada do jogo (6m). Foi a conclusão de um Sporting determinado a pressionar na frente, assim que os holandeses tomassem contacto com a bola. E deu frutos essa vontade, perante uma equipa que é tetracampeã de um futebol que, por norma, sabe jogar bem e trata a bola com técnica.
O losango da primeira parte mostrou que Romagnoli e Rochemback podem dividir funções na organização. O segundo a pegar na bola mais atrás, o argentino a rasgar, com tabelas, a defesa contrária (falta ainda que essa seja uma constante no jogo leonino). Depois, Rochemback é garantia de perigo nas bolas paradas: depois do golo, foi quase sempre assim que o Sporting chegou à baliza: em três livres, um remate de Postiga por cima (9m), outro de Derlei (11m) ao lado e um do próprio 26 leonino, com a bola a passar muito perto do poste direito de Cássio Ramos (19m).
Pelo meio, um remate de Dzsudzsak nem chegou a assustar, perante uma defesa em que parece apenas haver duas certezas, com Patrício à parte e seguro. Quem acompanha Polga e Grimi? Pela segunda parte, pelo golo holandês e até pela expulsão de Pedro Silva, a defesa inicial parece estar próxima da titularidade: falta saber Caneira ganha o lugar a Tonel. Os primeiros 45 minutos mostraram que o principal está garantido: os leões já denotam movimentos estudados e que vêm da época passada. Falta acertar na frente e esclarecer as dúvidas atrás.
Venha de lá Moutinho
Após a apresentação, quando ainda havia pouca gente no estádio, João Moutinho pisou o relvado de Alvalade para a segunda parte. Com ele vieram Pereirinha e Izmailov para as bandas e Paulo Bento voltou a testar o 4x4x2 clássico, com o 28 a fazer dupla no meio com Rochemback, durante 25 minutos.
Até à saída de Polga, apenas um bom lance do ataque leonino, com Tiuí a servir Djaló, o avançado a cair e a bola a sobrar para Izmailov, que teve boa visão e colocou para Pereirinha. O camisola 25 disparou, mas Zonneveld estava entre a bola e linha de golo para evitar o 2-0.
Há muito que uma passagem de testemunho não era tão aguardada e criava tanta expectativa em Alvalade. Polga deu o lugar a Carriço e a braçadeira chegou ao dono: João Moutinho. Novos assobios, mas também aplausos para 28 dos leões. Esse foi um ponto sempre em discussão na partida, saber de que lado estão os adeptos no caso Moutinho. Pelo que se viu e ouviu, as opiniões dividem-se.
Entre uma ou outra arrancada pelos flancos e uma boa defesa de Ricardo Batista, o jogo estranhou a expulsão de Pedro Silva, já perto do final, assim como o golo do PSV. O cartão vermelho irritou os leões, a defesa distraiu-se e Wuytens não perdoou.
Em suma, ao quinto jogo de pré-época, o Sporting somou o primeiro empate, não entusiasmou, mas, sobretudo, fica na retina a primeira parte do teste com o PSV. Já o capitão, tem de ir a prova oral para voltar a cair no goto de todos os adeptos.
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