Em termos competitivos, parte do encanto perdeu-se antes do apito inicial. Meia-hora antes, o F.C. Porto batia o Cagliari (4-1), repetindo o desfecho nas grandes penalidades. Olhando para os regulamentos, o registo nos castigos máximos favoreceu os dragões e permitiu a conquista antecipada do torneio. Sobrava o orgulho e um teste entre equipas do mesmo escalão. Ou nem tanto. Este Sp. Braga está bem acima deste Leixões (3-1).
As diferenças foram, em dado momento, gritantes. Talvez mesmo, um sinal das disparidades no nível médio da Liga portuguesa. O Leixões deixara uma imagem pouco satisfatória frente ao F.C. Porto e voltou a desiludir neste Torneio Internacional de Braga. José Mota tem muito trabalho pela frente. A equipa da casa, por outro lado, não acusou a mudança no comando técnico e já apresenta uma identidade forte, quase chocante pelo pendor ofensivo.
O Sp. Braga iniciou o encontro em 4x4x2, mas Andrés Madrid era a única segurança defensiva no sector intermediário. Tudo o mais era ataque, ataque, ataque. Alan, Mossoró e Luís Aguiar subiam a linha para chegar a Meyong e Linz, formando um tremendo bloco de pressão sobre o Leixões. Mota utilizou o mesmo esquema mas lançou peças menos oleadas, pagando um preço alto.
Em oito minutos, a formação arsenalista marcou por duas vezes. Luís Aguiar e Rodriguez abriram caminho para o triunfo, mas o Sp. Braga relaxou à sombra da vantagem e perdeu a ousadia. O adversário, diga-se em abono da verdade, também não causava perigo. Assim, sobra pouco para contar, para além de algumas picardias desnecessárias.
Na etapa complementar, vieram novas promessas de emoção. O Leixões recuperou o 4x3x3 tradicional, com extremos puros, e voltou a sentir-se confortável na sua pele. O resto da equação é simples. Maior identidade, maior fio de jogo, maior número de oportunidades de golo. Kieszek foi afastado o perigo sem olhar a meios, mas não conseguiu parar uma recarga de Diogo Valente (70m).
Do outro lado, com a equipa transfigurada, o Sp. Braga foi mantendo a chama bem viva, procurando contribuir para um espectáculo por si organizado. Conseguiu conservar a distância no marcador, graças a um castigo máximo convertido por Meyong, logo após o golo do Leixões.
Ficha de jogo:
Estádio AXA, em Braga
Árbitro: Cosme Machado (Braga)
Assistentes: Alfredo Braga e Paulo Vieira
SP. BRAGA: Eduardo (Kieszek, 46m); João Pereira (Filipe Oliveira, 46m), Rodriguez (Frechaut, 46m), Moisés (André Leone, 44m) e Evaldo (Edimar, 46m); Madrid, Alan (Vandinho, 46m), Mossoró (César Peixoto, 46m) e Luís Aguiar (Wender, 46m); Meyong (Orlando Sá, 78m) e Linz (Jorginho, 63m).
Suplentes não utilizados: Palmeira, Mário Felgueiras.
LEIXÕES: Berger; Vasco Fernandes (Ruben, 69m), Joel, Nuno Silva (Sandro, 46m) e Diogo Luís; Bruno China (Braga, 81m), Paulo Tavares (Hugo Morais, 46m), Chumbinho (Alexandre, 63m) e Castanheira (Zé Manuel, 46m); Roberto (Marques, 46m) e Jorge Gonçalves (Diogo Valente, 46m).
Suplentes não utilizados: Fonseca, Scoppa, Cacheira, Elvis e Beto
Golos: Luís Aguiar (4m), Rodriguez (8m), Diogo Valente (70m), Meyong (72m)
Cartão amarelo: Hugo Morais (67m), Joel (72m), Sandro (84m)
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