sábado, 2 de agosto de 2008

F.C. Porto-Leixões, 3-0


Ponto prévio: qualquer avaliação é condicionada pela qualidade do adversário. E esta noite o Leixões foi pouco mais do que uma soma de várias fragilidades. Nesse sentido, portanto, o jogo do F.C. Porto no domingo com o Cagliari, uma equipa mais consistente a defender, servirá melhor para a análise. Como o resultado (3-0) traduz, aliás.

Posto isto, e com a segurança que estas condicionantes (não) dão, arrisca-se pelo menos a dizer que este F.C. Porto já tem mecanismos colectivos bem afinados. Se calhar como nenhuma outra equipa portuguesa tem neste momento. Nesse sentido é obrigatório concordar com Quique Flores, quando ele diz que os azuis e brancos partem na frente.

Sobretudo na primeira parte, quando Jesualdo se serviu da equipa do ano passado reforçada por quatro jogadores novos (Rolando, Benítez, Guarín e Rodriguez) tornou-se evidente que há um fio de jogo, há uma segurança, há uma consistência no futebol da equipa muito próxima do que se viu o ano passado. Não é brilhante, mas é segura.

E ganha, claro. A vitória desta noite não tem contestação possível. Com um futebol simples, consistente atrás e rápido na frente, com saídas velozes para o ataque em três, quatro toques, o F.C. Porto criava situações de desequilíbrio. Como tantas vezes fez o ano passado. Ou seja, da última época para a primeira parte pouco mudou, portanto.

Uma pequena alteração que faz toda a diferença

Mudou pouco também devido a posicionamento de Guarín e Raul Meireles. Este último desceu para a posição de seis, o lugar que era de Paulo Assunção. Tacticamente culto e inteligente, o português transmite uma segurança muito boa à equipa. O que permitiu libertar Guarín para espaços mais ofensivos, jogando quase ao lado de Lucho González.

Ora essa mudança foi essencial para recuperar os princípios da última época. Embora muita gente dissesse o contrário, há muito era evidente que Guarín não podia ser trinco. Tem um espírito indomável de mais para esse tipo de obrigações. Com Raul Meireles, a equipa ganhar uma segurança, uma consistência e uma certeza que lhe dá liberdade.

A partir daí é só esperar que o talento faça o resto. E talento é coisa que não falta nesta equipa. A começar, por exemplo, em Rodriguez. Mas também podia começar-se por Lucho. Por Lisandro. Pelo próprio Guarín. Na segunda parte Jesualdo lançou Bolatti, Tomás Costa, Hulk, e o jogo mudou. Perdeu o fio que trazia da época passada, claro.

Até porque sem Lucho a coisa não é a mesma. Deu então para ver pouco do colectivo e bem mais do individual. De Hulk, antes de mais. Um jogador com boas características, mas que ainda tem um longo caminho a percorrer dentro da equipa. Do Leixões ficou quase tudo dito no primeiro parágrafo. José Mota tem muito que trabalhar. Em todos os aspectos.

Ficha de jogo:
Estádio Municipal Axa, em Braga
Árbitro: Cosme Machado (Braga)
Assistentes: Tomás Santos e Henrique Parente

F.C. PORTO: Nuno (Ventura, 46m); Fucile, Pedro Emanuel, Rolando (Bruno Alves, 46m) e Benítez; Raul Meireles (Bolatti, 63m), Fredy Guarín (Tengarrinha, 83m) e Lucho (Tomás Costa, 46m); Mariano (Hulk, 46m), Lisandro e Cristián Rodriguez (Candeias, 63m).

LEIXÕES: Beto; Vasco Fernandes, Sandro, Nuno Silva e Hugo Morais (Diogo Luís, 46m); Bruno China, Castanheira (Paulo Tavares, 75m) e Chumbinho; Zé Manuel (Diogo Valente, 62m), Marques e Jorge Gonçalves (Braga, 75m).
Suplentes não utilizados: Berger, Ruben, Joel, Scoppa, Cacheira e Alexandre.

Golos: Lucho (9m), Bruno Alves (62m) e Lisandro (69m).

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